HISTÓRIA DA MODA: Idade Contemporânea (Séc.XX)

IMPÉRIO

A sociedade francesa estava dividida em três estados: o clero, a nobreza e o restante da população.

A insatisfação com as diferenças sociais e o excesso de privilégios das classes favorecidas gerou uma revolta popular que culminou com a Tomada e Queda da Bastilha a 14 de julho de 1789, data-marco de todo o processo revolucionário.

A história da humanidade viveu um grande momento de mudanças sociais, o processo foi gradual e deu início a um novo período histórico, a Idade Contemporânea. O século XIX é considerado o maior século da história em caráter ideológico e conceitual.

Podemos dividir a moda em quatro períodos: Império, Romantismo, Era Vitoriana e La Belle Époque.

O Império sob o comando de Napoleão I na França (1804-1815), após a Revolução teve influência Inglesa. As roupas masculinas adquiriram sobriedade, o casaco passou a ser do tipo inglês de caça e o uso de botas tornou-se freqüente, além de golas altas e ostensivos lenços amarrados.

A moda feminina, menos ostensiva e extravagante, foi substituída por um vestido simples à semelhança de uma camisola solta de cintura alta, abaixo do seio, de cor branca, em musseline ou cambraia, com a transparência se fazendo presente. O xale entrou na moda.

Napoleão Bonaparte chegou a proibir a importação de musseline de algodão da Índia com a finalidade de desenvolver a indústria têxtil francesa, especialmente a seda de Lyon.

Na moda masculina mudou com um aspecto de maior conforto, as calças tornaram-se bem parecidas com as que usamos hoje além do avanço técnico da alfaiataria inglesa. 




ROMANTISMO
 

O Romantismo correspondeu entre os anos de 1820 e 1840, porém o momento entre Império e ele foi chamado de Restauração, entre 1815 e 1820.

Essa época foi para a moda um período de transição entre a moda Império e a Romântica. Os vestidos chegaram às canelas e bem mais ornamentados. A forma cilíndrica estava se transformando em cônica, escondendo a silhueta do corpo, as mangas compridas e justas até os punhos, bufantes na altura dos ombros e decotes mais altos.

A moda masculina estava a todo vapor desde o Império e muito significativa na Inglaterra. Paris ditava as regras da moda feminina e Londres se impunha na masculina.

Surgiu o estilo dandy na Inglaterra de George Bryan Brummel (1778-1840), o Belo Brummel que teve seus dias gloriosos entre 1800 e 1830. Foi uma maneira de ser, um modo de vida, uma maneira de se vestir, fazendo com que a distinção e a sobriedade se tornassem a marca registrada da moda masculina.

A justeza da roupa foi a marca registrada do conceito, golas altas, pescoços adornados com plastron, espécie de lenço com nó sofisticado para o aspecto arrogante típico do dândi.

Um complemento passou a ser usado em quase todo o século XIX, a cartola, símbolo de status e poder social.

O movimento romântico foi no século XIX que ganhou corpo e perdurou como ideologia, defendeu a liberação das emoções, quiseram o retorno de um homem emocional e espontâneo.

A Revolução industrial estava a pleno vapor, o ideal iluminista tinha transformado o homem em máquina. Contra essa ideologia, brotou na mente humana um saudosismo que influenciou o processo criativo, a literatura, artes, música, arquitetura e a moda não ficou de lado.

Na indumentária masculina o estilo dândi manteve-se como padrão: calça comprida, casaco, plastron e cartola. Em 1830 a barba começou a fazer parte da aparência dos homens, perdurando até a Primeira Guerra Mundial na década de 10 do século XX.

A moda feminina inspirou-se no passado. O preto e as cores faziam parte do guarda-roupa, assim como tecidos estampados de flores ou listras. Os vestidos voltaram a ter sua cintura marcadas pelo corpete e com saias de volume cônico, obtido pelo uso das anáguas.

As enormes mangas bufantes recebiam o nome em francês de manche gigot (manga presunto), que eram preenchidas com plumas e fios metálicos para obter o volume desejado.

O decote eram bem acentuados, em forma de canoa, de ombros caídos, o que revelava sua fragilidade. O xale de cashemire ou um detalhe tipo uma pelerine, chamado Berta, que pendia do decote podendo ser em renda.

Usavam jóias tipo relicários, cruzes, pulseiras, broches, adornos de laços, fitas, babados, flores e ornamentos em geral. Na cabeça, cachos caídos sobre as têmporas, sofisticados penteados ornados com travessas (as de casca de tartaruga eram mais chiques, caras e resistentes) e modelos de chapéus em palha ou cetim, tipo boneca, ornados com plumas, flores e fitas, amarrados sob o queixo, leque e sapatos de salto baixo. 




ERA VITORIANA


A segunda metade do século XIX foi marcada pelos monarcas Napoleão III, na França e Vitória na Inglaterra, período de grande prestígio da burguesia.

A década de 50 do século XIX foi marcada pelo uso da crinolina, um tecido feito de crina de cavalo mesclado ao algodão ou linho, com propriedades rijas e flexíveis, com a obtenção do volume através de armação de aros de metal chamada de cage (que em inglês ou francês significa gaiola).

Nesse período a moda encontrou uma maneira de se diferenciar, devido ao prestígio financeiro da burguesia industrial, o aspecto visual das roupas estava muito semelhante àqueles da nobreza e da aristocracia. Surgiu o conceito da alta-costura nas mãos de Charles Frederick Worth e com a invenção da máquina de costura, no período do Romantismo, entrou para a moda o prestígio do artista, o criador de moda que exteriorizava seu gosto e suas vontades no processo de elaboração de roupas. 




ALTA-COSTURA


Em 1857, o inglês Charles Frederick Worth abre a primeira casa de alta-costura, num processo de reelitização, uma reação à considerável democratização da moda trazida pelos progressos da confecção. A principal inovação conceitual de Worth: a partir dele, surge a idéia de sermos vestidos por alguém que tem o poder de decidir por nós o que deve ser usado, o que é bom gosto, o que é elegante, etc. Worth colocou a figura do costureiro no centro da moda e todas as outras profissões - tecelões, chapeleiros, sapateiros, bordadores, etc. - passaram a depender de suas criações e de suas decisões sobre os rumos da moda.


Paralelamente, surgiu para o homem a roupa de trabalho e a figura masculina tornou-se um verdadeiro reflexo de uma sociedade produtiva, passando a ficar cada vez mais sóbrio e a mulher cada vez mais enfeitada.

Os volumes das saias ganharam novas proporções, ficando reta na frente e volumosa e de aspecto circular só na parte de trás.

Os tecidos mais usados eram os de decoração, de cortina e estofados. Nas cinturas ajustavam-se cada vez mais os espartilhos. Chapéus para o dia, sapatos de salto alto e leque.

O contraste entre as modas feminina e masculina desse período foi grande, os homens caminhavam para uma moda prática e as mulheres se utilizavam de laços, babados, rendas, ancas, caudas, chapéus, sombrinhas e uma gama de complementos ornamentais que lhe dificultavam uma vida prática.

Até o surgimento da alta-costura e desde a origem da moda como a compreendemos hoje, os fenômenos de inovação da aparência eram fruto, via de regra, da expressão da vontade dos indivíduos, pertencentes às elites, na busca por diferenciação ou distinção em relação a seus pares. 




LA BELLE ÉPOQUE


Último período distinto da moda do século XIX foi denominado de Belle Époque, que vai até a primeira década do século XX, no princípio da década de 10 e antes do início da Primeira Guerra Mundial.

O que prevaleceu foi o gosto curvilíneo, orgânico e ornamental do Art Nouveau, nunca o corpo feminino esteve tão envolto em tecidos.

O espartilho se fez notar pela silhueta aparente do corpo, as golas eram altas e as saias continuaram com volumes de tecidos em formato de sino e ajustadas, chapéus enfeitados de flores com enormes coques fofos.

Uma inovação muito bem aceita como moda foi que a roupa feminina se A prática esportiva como equitação, tênis, peteca, bicicleta, arco e flecha, acabou trazendo para a moda feminina uma espécie de saia-calção bufante. Esse tipo de roupa associada ao lazer e esporte acabou bem aceita para a moda do dia-a-dia e o tailleur, composto de casaco e saia do mesmo tecido, passou a fazer parte do guarda-roupa feminino.

Uma outra prática muito aceita foi o hábito de banho de mar e a roupa era de malha, normalmente de lã, cobrindo tronco e pernas até os joelhos, além de meias e sapatos.

A moda infantil sempre havia sido uma cópia em miniatura da moda adulta, mas no final do século XIX, surgiu uma moda de criança para a própria criança que devido ao lazer dos banhos de mar, foi a roupa marinheiro que se tornou um clássico desse segmento.

A indústria da confecção, desde os seus primórdios, teve um importante papel na difusão das tendências. Desenvolveu-se antes da alta-costura, em função dos progressos tecnológicos que o setor têxtil conheceu no começo do século XIX, por exemplo, com o advento da máquina de costura, cujo uso disseminou-se a partir da década de 1830.



1900 / 1909


O Início do Segundo Milênio

Em 1906 o Brasil tinha menos de 10 fábricas de tecidos e sua produção atendia apenas às necessidades mais rudimentares. Assim como em muitas outras áreas, o único padrão aceitável no vestuário era o importado.

Santos Dumont cortava o céu de Paris em 1900 com suas invenções. Ao Brasil chegava o primeiro carro de motor à explosão e a instalação da Light era um marco fundamental para o desenvolvimento da sociedade industrial e urbana.

O cinema contava com duas salas de exibição e era a principal diversão da elite.. A Belle Époque e o Art Nouveau são as referências visuais da época. Da França vinham os figurinos, o que fazer, o que vestir e as palavras para designar as peças do vestuário brasileiro.

Fraque e polainas, o nosso clima não combinava com a elegância importada. Os senhores vestiam casimiras inglesas com colarinhos altos e as senhoras, vestiam saias compridas, amplas, cheia de subsaias, os traseiros em tufos, ressaltados por coletes de barbatanas de ferro, todas de cabelos longos enrodilhados no alto da cabeça, chapéu, botinas de cano alto, leque de seda ou gaze e as mãos sempre com luvas. A silhueta feminina era definida pela “roupa de baixo”, os espartilhos, uns corpetes rígidos que comprimiam o estômago e lançavam o busto para cima.

No início do século, as mulheres se renderam à moda de uma espécie de monobusto feito pelo peito de pombo e, para atingir o efeito, tinham que enxertar franzidos, rendas e laçarotes nos decotes, além de formar o próprio busto com armações especiais.

Os ares modernizadores determinam mudanças radicais na moda brasileira. O fim da Belle Époque e os prenúncios da I Guerra Mundial mudaram o comportamento. A moda reflete essa mudança e o progresso tecnológico, modifica a estrutura das roupas.

Quando se expandiu o uso da bicicleta, o trem, o carro e o bonde, exigiram uma moda mais prática. Influenciada pelo francês Paul Poiret, a mulher começa a querer roupas que apertavam menos a cintura e davam mais conforto. Os ombros, o colo e os braços passam a ser desnudados e a pele branca ainda é a mais louvada. Além do pó-de-arroz e das anilinas, Lugolina foi um dos primeiros cosméticos usados permanente e abertamente. Começam também a usar tintura para o cabelo.





1910 / 1919


A 1ª Grande Guerra Mundial

Em 1910 a situação começa a mudar e a nova mulher aprende a liberar seu corpo, passa a ser chique parecer moderna.

A carestia do ano 10 obrigou a “rainha do lar” transformar-se em assalariada e começaram a trabalhar nas novas profissões que o desenvolvimento urbano vai criando. Surgem telefonistas, datilógrafas, secretárias, enfermeiras, etc. Com a I Guerra Mundial, as mulheres passam a substituir os homens para as frentes de batalha, dando impulso ao feminismo internacional, refletindo no Brasil através da imprensa e do cinema.

Atrizes do cinema americano, como Gloria Swanson e Annette Kellermann, invadem as telas brasileiras com suas imagens de mulheres modernas, urbanas, de temperamento arrojado e preocupadas em valorizar seu corpo.

Para essa nova mulher, as saias encurtam, surgem os primeiros tailleurs, as abas dos chapéus são reduzidas, as bolsas crescem de tamanho, as botas de cano alto em camurça e os collets substituem os espartilhos, que agora não deformam a silhueta, apenas modelam.

O estilo Liberty, de Arthur Lindsay Liberty, introduz uma série de motivos de inspiração oriental e o conceito de conforto nas linhas das roupas e Poiret, usa e abusa dessa inspiração trazendo a cintura para logo abaixo do busto.

Durante a guerra, os países europeus e os EUA diminuíram suas exportações para o Brasil, dando ao setor têxtil um grande impulso.

Durante a década de 10 do século XX, exatamente em 1914 a 1918, chegou ao solo europeu o conflito que mudou inúmeros aspectos da humanidade: a Primeira Guerra Mundial.

Os tempos então passaram a ser outros e a moda sofreu algumas mudanças, que na realidade foram verdadeiros ajustes ao tempo.

Em 1916, Gabrielle Coco Chanel inovou consideravelmente ao fazer tailleurs de jérsei, ou seja, uma malha de toque macio e sedoso, com aspecto elástico.

Terminada a Guerra, a partir de 1918, os ajustes aos novos tempos começaram a aparecer e os interesses da moda passaram a ser outros também. As atividades de trabalho, o esporte e o divertimento, especialmente a dança, contribuíram para cada vez mais as roupas irem se adaptando às novas necessidades e isso se traduziu na continuidade do encurtamento das saias. 

Até a Primeira Guerra Mundial (1914-8), o Ocidente ainda vive o período caracterizado como Belle Époque (1889-1914), em que impera a silhueta em S, com busto reforçado e bumbum desenhado para trás. A peça mais importante é o espartilho, que desenha e prende o corpo da mulher. É o costureiro Paul Poiret (1879-1944) quem precursoramente “liberta” a figura feminina, mas Coco Chanel (1883-1971) será quem levará a fama por isso. Entretanto, a grande responsável pela mudança é mesmo a Primeira Guerra Mundial, quando a mulher assume novos papéis, no front assim como na batalha do dia-a-dia. Suas roupas têm de ficar mais práticas; as saias começam a ser cortadas, e aparece um novo comprimento, até a canela. Surge também a calça-saia, mais adequada para que a mulher possa andar de bicicleta.

 Com as privações causadas pela guerra, emergem novos materiais. Em 1916, por exemplo, Chanel faz tailleurs de jérsei, considerado até então um tecido pouco nobre, usado nas roupas de baixo. Com o fim da guerra, os tempos ficam mais leves, e o divertimento dará o tom da década seguinte.





1920 / 1929


Os Anos Loucos

Com o fim da I Grande Guerra, no Brasil cresce a indústria para atender o mercado interno.

A revolução modernista, que já dominava a Europa, Picasso e o cubismo abriram caminho para uma nova concepção plástica. Novos valores culturais começam a interessar a Europa e em fevereiro de 1922 foi realizada a Semana de Arte Moderna, que marca as grandes mudanças na arte brasileira.

Ser moderno é a grande moda e o Brasil vai aderindo às novas idéias e aos novos padrões de comportamento. Começa a haver uma busca por mais liberdade, simplicidade, despojamento e frescor. O gosto pelo esporte vai se disseminando.

As saias vão sendo encurtadas um pouco e em 28 estão acima dos joelhos. Os coletes para se ajustar ao novo visual, os vestidos soltos, aparecem os pagliaccetos, uma lingerie constituída de camisa e calça juntos em um macacão. O cabelo à la garconne e chapéus cloche.

Surge na imprensa brasileira a melindrosa, criada pelo caricaturista J. Carlos, e passou a simbolizar a mulher da época.

O corte das roupas era o mesmo para todas as ocasiões e a diferença entre as de dia e de noite eram pelo nível de elegância e o trabalho artesanal dos materiais. No começo da década surgem as meias brancas, as cinturas são baixas ou não existem, é a linha tubo. Em São Paulo é comum vestidos bordados à machine Cornely, prenunciando a mecanização de trabalhos delicados.

A moda segue o que dita a França e a despeito do clima, a brasileira quer seguir Paris a qualquer preço. O endereço de uma boa costureira, uma boa chapeleira, uma boa coleteira, era segredo disputadíssimo entre as elegantes. O chic era estar vestida com sedas, tafetás, gaze, chiffon de seda, crepe da China, linho, shantung, veludo, lã, brocado e o algodão era considerado tecido de segunda categoria, usado para banhos de mar e roupas das classes mais pobres.

As “roupas de banho de mar”, calção bufante até o joelho, casaco até a altura dos quadris, saia até o joelho, touca franzida e sapatos de tecido com sola de corda ou inteiros de borracha, amarrados no tornozelo e meia três-quartos preta de algodão. Em 1924 os primeiros maios de malha de lã no Rio de Janeiro foi o maior frisson.

O final da década prenuncia o fim de uma época de luxo e ostentação, com a economia mundial abalada, a moda dá sinais de comedimento.

Em 1925, a mulher mostrou de fato as pernas com o comprimento logo abaixo dos joelhos. Em toda a história da indumentária, a mulher só tinha feito isso na pré-história, quando ainda usava tangas, uma vez que em todos os outros momentos históricos esteve com as suas pernas cobertas. Com essa novidade, ou seja, com as pernas à mostra, as meias fizeram sucesso e aquelas de seda natural tornaram-se claras para, de fato, dar a idéia da cor da pele.

A mulher dos anos 20 do século XX se tornou totalmente andrógina, uma característica marcante, assim como o desaparecimento de diferenciação social através das roupas, uma vez que esse aspecto sempre fez parte da indumentária. A aceitação e prática do novo estilo por parte de todas as mulheres de todas as classes sociais, se uniformizou tanto que desapareceu essa diferenciação.

Nos anos 20 os aspectos de praticidade, conforto, preço e de produção se fizeram presentes nas roupas e, nessa onda vinda dos Estados Unidos, os pull-overs e sweters se tornaram grande moda, assim como o uso do tecido príncipe-de-gales. 

Delícia de década para trabalhar com a moda ! Pense em melindrosas, em vestidos de cintura mais baixa, deslocada (para os quadris, disfarçando as curvas), quando a silhueta da mulher de fato se liberta. A mulher dos anos 20 se torna também mais atlética e começa a bronzear-se e fazer dieta, pela primeira vez no século... Os comprimentos sobem mais e chegam à altura dos joelhos, e é a primeira vez na história ocidental que as pernas femininas podem ser vistas em público. Os vestidos chacoalham ao som de charleston e do jazz.  As mais ousadas aproveitam a chance de começar a usar roupas de homem, fumando em público e reivindicando o direito de votar. É o surgimento da moda garconne (à moda dos meninos).

 Esse é o novo ideal de mulher: sexualmente liberada, de cabelos curtos, fumante e masculina. Se possível, bronzeada, já que as verdadeiramente chics têm tempo e possibilidade de ficar ao sol. O item de beleza obrigatório é o batom, aplicado com os dedos. A imagem da década é Louise Brooks, a Lulu.





1930 / 1939


Anos de Crise


Dois milhões de desempregados em todo o país foi o saldo deixado em 29 pela grande depressão que teve como símbolo o craque da Bolsa de Nova Iorque e, no Brasil, a supersafra do café. Em São Paulo e no Rio, 579 fábricas fecharam suas portas, por falta de compradores para seus produtos. A crise econômica e política estendeu-se pelos anos 30, aumentando o desemprego e reduzindo os salários.

O povo brasileiro toma conhecimento de uma nova Constituição da República, regulamentando a implantação definitiva da ditadura ou Estado Novo. Era o tempo da censura, de muita insegurança e o Estado regia tudo, a economia a política, a cultura e a moral. A política centralizadora do Estado assumiu um sentido industrializante e fortaleciam-se as novas camadas da burguesia industrial.

O Rio de Janeiro em 1930 é a sede do Concurso Internacional de Beleza e o assunto é saber quem receberá o título de Miss Universo e a gaúcha Yolanda Pereira é a vencedora. Mais adiante, a mulher brasileira assume papéis singulares na Revolução de 32.

O governo de Vargas, com decreto, instituiu o voto secreto e a sua extensão às mulheres. O acelerado desenvolvimento industrial, aliado ao crescimento da radiodifusão, do cinema e ao surgimento de novas revistas femininas, vai ampliando a participação da mulher.

Em 1932 o governo autoriza a veiculação de propaganda e com a introdução do patrocínio de anunciantes, aparecem os programas de variedades, que transformam o rádio em fenômeno social, influenciando o comportamento das pessoas e ditando modas.

Aurora e Carmem Miranda, Araci de Almeida, Alzirinha Camargo, Dalva de Oliveira, Linda e Dircinha Batista, Mário Reis, Chico Alves, Lamartine Babo, Noel Rosa, Orlando Silva e Vicente Celestino foram os grandes ídolos da geração de 30.

O cinema exerceu um papel fundamental no processo de liberação da mulher e encantada com os hábitos de vida americana e européia, começa a ser dona do seu destino.

A moda dos banhos de praia e piscina começa a formar um novo padrão de beleza: a pele bronzeada. Os maiôs mais ousados deixavam à mostra os ombros e uma parte maior das coxas. A moda está mais comportada, mais sisuda e menos irreverente.

As cinturas voltam para o lugar, as saias descem até o meio da perna e as silhuetas são adaptadas às diferentes ocasiões. Já se notava uma certa preocupação em adaptar as grandes tendências de moda ditadas por Paris, para o nosso clima.

As divas do cinema continuam as maiores inspiradoras: Joan Crawford, Marlene Dietrich, Greta Garbo, Bette Davis, Mãe West e Jean Harlow.

Gabrielle Chanel adotou para a noite rendas, brilhos e babados e para o dia, roupas práticas e adequadas: calças compridas, suéteres e vestidos de malha, para acompanhá-los a “jóia-falsa”, as finas bijuterias. Os comprimentos ficavam na altura da barriga da perna, alongando o corpo.

A moda feminina se aproxima das tendências masculinas. Os tailleurs apresentavam-se com enchimentos fazendo ombros quadrados, boleros, uso de saia e blusa e de roupas íntimas mais refinadas e sensuais.No inverno usava-se paletós, capinhas curtas, capas, manteaux compridos e as peles ainda eram muito usadas.

A idéia de se combinarem os acessórios de couro surge nessa época. Luvas, cintos, sapatos e bolsas precisam combinar entre si ou ser de um mesmo tom e chapéus variados. O estilo da mulher da década de 30 sofre as influências do despojamento do Art Déco, com seus conceitos de funcionalidade e depuração das formas.

Os novos atributos decretam a redução dos seios e quadris. Os cabelos agora são frisados, mas permanecem curtos. A maquilagem se acentua e a mulher aristocrática, fina, harmoniosa, jamais se vestiria de vermelho, de azul berrante, de amarelo vivo, de cores vibrantes, o espírito raffinés prefere nuances delicadas.

Em 39 Hitler invade a Polônia e tem início a II Guerra Mundial.

Os anos 30 do século XX chegaram com uma enorme crise financeira mundial. A queda da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929, deixou o mundo com problemas financeiros seríssimos. Paradoxalmente à crise econômica a moda refletiu um momento de grande satisfação, luxo e esplendor.

O cinema cada vez mais bem posicionado, refletia no comportamento de moda. O uso de tecidos sintéticos foi significativo, apesar dos de fibra natural não terem sido esquecidos. O grande tecido de moda que serviu como identidade dos anos 30 foi o cetim.

A grande moda mesmo foi do corte godê, evasê, o do corte em viés, introduzido à moda por Madeleine Vionnet (1876-1975), numa modelagem rigorosa.

A valorização das costas foi realmente a grande identidade da moda dos anos 30 e os shorts começaram a aparecer na moda feminina devido tanto em razão da prática esportiva quanto ao hábito do banho de mar.

A imagem da moda é da estrela hollywoodiana. Desde a época áurea do cinema mudo, as telas fornecem não apenas padrões, mas modelos, aspirações para moças em todo o mundo. O cinema, entretanto, é controlado pelas regras moralistas; assim, os comprimentos baixam (também em reação natural aos vestidos mais curtos da década anterior). De dia é o mi-molet (no meio a panturrilha), e à noite é o longo.
  
Os filmes introduzem uma imagem de mulher mais velha, cheia de mistério e glamour, com padrões de fotogenia baseados em ideais gregos de beleza e proporção. As formas gregas aparecem igualmente nos drapeados de ícones da moda como Madeleine Vionnet e madame Grés. Outras mulheres se tornam exponenciais, como Jeanne Lanvin, Nina Ricci e Elsa Schiaparelli, além de Coco Chanel, cujas criações, figura de modo de vida simbolizam a época. Madeleine Vionnet (1876-1975) inventa o famoso corte no viés (contra o fio do tecido, o que resulta num caimento drapeado, mais suave, perfeito para os vestidos de festa), que o inglês John Galliano virá a recuperar nos anos 90. As mulheres continuam sob dieta, e as mais ricas vão a resorts e fazendas para emagrecer - os spas de hoje. Espalha-se a febre dos salões de beleza. Os cabelos crescem, ganhando ondas e curvas. A cor “oficial” é o platinum blond (louro-platinado).





1940 / 1949


Do Holocausto ao Sonho


A década de 40 começa no momento em que a humanidade presencia o início de uma tragédia de proporções inimagináveis. O salário mínimo é instituído em 1940, e em 45 toda a legislação social e trabalhista é reunida na Consolidação das Leis do Trabalho.

O rádio, o cinema, os discos, a imprensa diária facilitavam a comunicação e a difusão de idéias. A partir de 1942 os rumos da guerra começaram a mudar, abalando um dos alicerces do Estado Novo e favorecendo a luta interna da democratização. Em 29 de outubro de 1945, Getúlio Vargas renuncia. As Forças Armadas brasileiras aparecem como fiadoras da democracia e o general Dutra é eleito presidente, começando a se preocupar em dar um rumo à economia, tomando medidas restritivas às importações e estabelecendo o controle cambial.

Com a democratização, a grande moda é ser antifascista e esquerdista. Durante a guerra as comunicações com a Europa estiveram cortadas e no pós-guerra no entanto, a efervescência da produção intelectual dos países europeus fez desaguar no Brasil uma série de conceitos como neo-realismo, abstracionismo e existencialismo.

O grande lançador de moda, o maior difundidor de hábitos, conceitos estéticos e tendências de comportamento continua a ser o cinema, que nos anos 40 foi invadido por cores nas telas com as imagens de Ingrid Bergman, Lauren Bacall, Judy Garland, Rita Hayworth, Katherine Hepburn e Lana Turner.

O duas-peças começa a ser vistos nas praias brasileiras. No momento em que as importações ficam difíceis durante e depois da guerra, começa a haver um grande esforço dos profissionais brasileiros de moda para atender às pressões de um mercado acostumado aos padrões europeus.

Durante a guerra a moda se submeteu aos rigores do período, logo que terminaram os conflitos começou a haver uma reação à militarização e à masculinização das formas femininas, o que eclodiu no New Look de Dior, propondo a volta à feminilidade e ao luxo.

É nesse período que começa realmente a existir moda no Brasil. As primeiras confecções aparecem, elas riscavam no pano os seus modelos ainda nas fábricas de tecido, depois cortavam e as peças eram mandadas para costureiras, que montavam e costuravam as roupas.

O novo ideal feminino do pós-guerra faz questão da valorização das formas femininas, a cintura bem fina, os bustos e os ombros evidenciados por decotes tomara-que-caia e as pernas de fora. Surgem os vestidos tipo sereia e Balenciaga, Balmain, Dior e Givanchy, eram alguns dos grandes costureiros da época. No Brasil a Casa Canadá passa a ocupar o lugar de maior destaque na moda se limitando ao comércio de peles, que com as dificuldades de importação, abriu um salão de modas, a Canadá de Luxo, primeira boutique do Brasil e que em 17 de julho de 1944 lançou o primeiro desfile de moda no país.

Os tecidos lançados na Europa eram copiados fielmente no Brasil. As mulheres entram com força total no mercado de trabalho, e a indústria americana lança os tecidos que dispensam o uso do ferro de passar. De 1940 a 1945 as indústrias de sedas e outras fibras naturais ficam paralisadas. As meias de seda não se encontram mais à venda e é comum ver-se mulheres pintarem um fio nas pernas imitando as costuras dessas meias.

Em 1947 Christian Dior lança o New Look com saias rodadas e fartas com muitas anáguas, cintura bem marcada, corpo justo enfatizando o busto e retirando dos ombros os enchimentos que os masculinizavam; sapatos de salto alto; chapéus floridos com véus; luvas coloridas combinando com lapelas e lenços; guarda-chuvas fazendo conjunto com sapatos e bolsas; grandes brincos e colares de duas ou quatro voltas de pérolas. Um dos bem-sucedidos truques de Dior era construir em cada vestido todo o suporte necessário para que não fosse preciso nenhum espartilho.

A década de 40 é também a de Carmem Miranda, vestida por Alceu Penna, que criou para ela a primeira fantasia genuinamente brasileira.

O final dos anos 30 foi marcado com o início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), conflito que envolveu inúmeras nações do mundo e que mudou os rumos da história.

A moda da segunda metade dos anos 30 começou a ganhar uma certa masculinização influenciada pelos uniformes dos soldados como um prenúncio dos anos de guerra.

De 1939 a 1945 a palavra de ordem foi recessão. Obviamente que a moda não ficou fora desse contexto. Havia inclusive regras para gastos de tecidos e também para a limitação de metragem de compra.

Isso tudo provocou uma certa monotonia na moda, que foi resolvida com detalhes específicos tipo debrum colorido, bolsos e golas também de outra cor, etc., como forma de aproveitamento de sobras de tecido. Com a falta de tecido para vestuário, estes foram substituídos pelos tecidos de decoração.

O uso de turbantes, chapéus, redes e lenços sobre a cabeça foi de extrema importância, uma vez que devido novamente à ausência masculina que foi para o campo de batalha, a mulher de novo voltou a trabalhar na indústria e, por motivos de segurança, era preciso prender os cabelos.

As meias finas de nylon (marca registrada da Du Pont para a poliamida, fibra lançada pela empresa nos Estados Unidos em 1938), ficaram totalmente escassas no período da guerra, uma vez que a produção do nylon foi toda destinada para o fabrico de pára-quedas.

Uma outra peça muito usada pelas mulheres durante a guerra foi a saia-calça. Conforto e praticidade para momentos difíceis, especialmente para o uso de bicicletas.

A guerra acabou em 1945 e a alegria de viver voltou a reinar. Na moda, a indústria estava bem estabelecida, principalmente a norte-americana devido ao fato da guerra ter acontecido em solo europeu. Surgiu então nos Estados Unidos o ready-to-wear, que era uma nova maneira de produzir roupas em escala industrial, com qualidade, com expressão de moda e numeração variada de um mesmo modelo. Franceses, sob o comando do industrial Jean-Claude Weill foram aos Estados Unidos para saberem como funcionava isso e, se apropriaram da idéia transformando o ready-to-wear, em 1946, em prêt-à-porter.

Depois da guerra, exatamente em 1946, o estilista francês Louis Réard, inventou uma roupa de banho de duas peças, que devido ao bombardeio atômico no atol de Bikini no Oceano Pacífico, deu-lhe o nome de Bikini. Escândalo para a época mas que aos poucos foi sendo assimilado.

A alta-costura como já foi dito, teve seus problemas durante a guerra, mas que foram resolvidos posteriormente resgatando seus valores e respectivos talentos.

Entre os criadores dessa época, quem se destacou foi o francês Christian Dior, que lançou em 1947 uma nova proposta de roupas femininas resgatando toda a feminilidade perdida durante os anos de guerra. Suas novas criações, inspiradas nas cinturas marcadas e saias volumosas da segunda metade do século XIX foi chamada de New Look.

Assimilado entre as mulheres, elas passaram a consumir metros e mais metros de tecidos para suas saias rodadas em corte godê guarda-chuva. Bom para a indústria têxtil que precisava se restabelecer depois da crise da guerra. Estava lançada toda a base que seria a grande referência da moda nos anos 50.

 De novo, a guerra vem como catalisador das mudanças na moda. A Segunda Guerra Mundial (1939-45) exige novos posicionamentos da mulher, e as roupas ficam mais simples e austeras. Em termos formais, o uso de duas peças se impõe, garantindo praticidade aos looks, agora intercambiáveis. As saias ganharam fendas, para que a mulher possa andar de bicicleta. A silhueta fica mais próxima ao corpo, devido ao racionamento de tecidos. As pessoas têm uma caderneta que acompanha o número de metros de consumo têxtil anual. A partir de 1940, é proibido gastar mais do que quatro metros para o mantô e um metro para a camisa (as grávidas ficam liberadas dessa determinação). Os cintos de couro não podem ter mais de quatro centímetros de largura.

 As roupas são recicladas, e popularizam-se os sintéticos, como, por exemplo, a viscose, extraída da celulose. As restrições estimulam também a criatividade da indústria nos EUA, possibilitando o surgimento de um novo gênero, o eficiente sportswear americano, capitaneado por Claire McCardell (1905-58).
 A imagem da femme fatale européia é substituída pelo ideal americano de garota - as “garotas de suéter” e as pin-ups são verdadeira necessidade das tropas.

 O cabelo da atriz Verônica Lake é copiado em toda parte, tornando-se coqueluche e marca da década, enquanto Rita Hayworth devasta o mundo como o furação Gilda (1946).

 Mas é depois da guerra que acontece uma das principais revoluções da moda: o surgimento do New Look, de Christian Dior, em fevereiro de 1947. com status equivalente ao de um pop star nos dias de hoje, Dior estabelece que a mulher quer ser feminina, glamourosa e sofisticada e está cansada das agruras da guerra. A silhueta se inspira na segunda metade do século 19. Tem cintura ressaltada, marcada, e volume na saia, que, ampla e larga, fica a 30 centímetros do chão, com o busto e os ombros valorizados, na estrutura denominada linha Corola e linha 8. Quem batiza a nova moda é a editora de moda americana Carmel Snow, da revista Harper’s Bazaar, que escreve: It’s a New Look (“É uma Nova Imagem”).





1950 / 1959


Os Anos Dourados


A década de 50 começa com o Brasil vivendo um clima de democracia e desenvolvimento industrial com a volta de Getúlio ao poder, que vai até 24 de agosto de 1954 quando ele responde às pressões para a sua renúncia com um tiro no coração.

Uma aliança partidária indicam à presidência um candidato considerado popular, Juscelino Kubistchek de Oliveira que assume com João Goulart o poder em 31 de janeiro de 1956. “50 anos em 5” é o resumo da proposta de governo. JK apresentou a idéia de Brasília, um projeto tornado realidade em apenas três anos e dez meses.

O Brasil dos anos 50 tinham os olhos para o Rio de Janeiro. É a época dos playboys de Copacabana, com seus Cadillacs rabos-de-peixe, calça rancheira e mocassim branco. O machão típico desse período, modelava o corpo nas academias e tinham como ídolo a rebeldia irreverente de James Dean.

Alceu Penna, exímio desenhista, que a exemplo de J. Carlos marcou época com a elegância e atualidade de seu traço, influenciou todos os demais desenhistas de moda e ditou um padrão estético e de comportamento para as jovens de sua época.

Hollywood exportava uma nova mulher, que fazia uso do erotismo como arma de conquista: Jane Russel, Jayne Mansfield, as italianas Gina Lollobrigida e Sophia Loren faziam a guerra dos bustos. As “santinhas” Dóris Day, Grace Kelly e Debbie Reynolds representavam o outro lado da moeda. Em 53 surgia em Hollywood a revista Playboy e Marilyn Monroe tornava-se um símbolo sexual.

No Brasil, as atrizes de teatro rebolado Mara Rúbia, Wilza Carla e Anilza Leoni representavam esses padrões. Elvira Pagã e Luz Del Fuego escandalizavam a moral convencional, fazendo a apologia do nudismo. Só na segunda metade da década é que as moças usaram biquíni nas praias brasileiras. As garotas começavam a andar de calça comprida e a grande coqueluche era o bambolê, que faz girar na cintura.

Em 54 Marta Rocha ganha o concurso de Miss Brasil, e perde o título de Miss Universo por duas polegadas a mais nos quadris. Não obstante, passa a ser considerada símbolo de beleza brasileira.

A maioria dos jovens expressava através da música e da indumentária o seu protesto contra os valores das antigas gerações.

Nos anos 50 a saia-balão foi uma continuação do New Look. As saias plissadas com conjunto de blusa e casaquinho, acompanhados de meia soquete e mocassim, mais as calças de helanca com blusas de jersey estampado são a grande coqueluche até os anos 60. Dois modelos de roupa feminina mais importantes dos anos 50 foram o redingote e o tailleur. O primeiro era um vestido acinturado, de saia larga, preso na frente e com cinto fantasia atrás. O segundo, já nosso conhecido, aqui tinha saia justa e o casaco curto e solto do corpo, usado com blusa sem gola ou de jabot. Geralmente eram confeccionados em tweed, shantung ou gorgorão. Além desses, uma gama enorme de outros tecidos é empregada na confecção de roupas femininas: organdi, fustão, filó de nylon, chiffon, tafetá, cetim, alpaca, renda e outros.

Os fios sintéticos permitem uma imensa variedade de texturas e cores. Sair à rua sem chapéu já não é mais um vexame. As luvinhas curtas podiam ser usadas nas mais diferentes ocasiões. Os brotinhos usavam saias rodadíssimas (godet duplo), vaporosas e cheias de anáguas. Para a noite os decotes tomara-que-caia ou de alcinhas.

Nesse período, a indústria da beleza se desenvolve. As mulheres lavam seus cabelos com shampoo, fazem permanente e usam make-up. Seu soutien é De Millus , que “ergue, prende e realça com naturalidade”. Quando vai à praia usa maillots Catalina, óculos Ray-Ban e sandálias de salto. A mulher de 1959 não é extravagante, nem exótica. É espontânea, jovem e prática. Usa vestidos fáceis, simples e de uma graça incomparável. Exprime a própria personalidade na escolha das cores, dos tecidos e na combinação dos mesmos.

A moda dessa década foi de extrema sofisticação. Muito luxo e muito glamour marcaram esse período dos “anos dourados” onde a alta-costura teve seus momentos de grande esplendor.

O New Look de Dior desencadeou todo o padrão estético dos anos 50 no qual a cintura marcada com saias rodadas passaram a ser o verdadeiro gosto desse momento.

Forrar o sapato com o mesmo tecido do vestido ou mesmo orná-lo com os mesmos bordados e ou materiais também utilizados na sua elaboração era o que havia de extremo bom gosto.

Lançado também nesse período, os vestidos chemisier, inspirados na camisa (chemise, em francês), uma vez que RAM abertos na frente de cima a baixo e fechado por botões.

A televisão começou nessa época influenciar a moda, sendo as atrizes muito copiadas.

Foi também nessa mesma década que os jovens norte-americanos começaram a buscar uma identidade própria para a sua moda, associando-a a determinados comportamentos. Cardigãs de malha, saias rodadas, meias soquetes e rabo-de-cavalo faziam a linha college. As calças compridas cigarretes, justas e curtas à altura das canelas, usadas com sapatilhas foram muito populares entre as jovens. Para os rapazes mais ousados, ou melhor, para os rebeldes, a calça jeans com a barra virada e a camiseta de malha compunham o visual.

As t-shirts, ou seja, as camisetas de malha, tornaram-se grande moda após os ídolos do cinema terem-nas usado nas telas. A idéia da moda agora era o despojamento.

A indústria do prêt-à-porter tornou-se cada vez mais significativa, isso especialmente por influência norte-americana e o sportswear ia se popularizando cada vez mais.

Em 1955, na França, o Comitê de Coordenação das Indústrias de Moda (CIM) fornece aos diversos elos da cadeia têxtil, das fiações à imprensa, indicações precisas e coerentes sobre as tendências e serviu de modelo aos birôs de estilo durante as décadas de 1960 e 1970 (“cadernos de tendências” contendo informações para o desenvolvimento de coleção).

Nos anos 1950, ocorreram dois fatos importantes. O primeiro foi a publicação de O sistema da moda, de Roland Barthes, que alargava excepcionalmente as possibilidades de abordagem sobre os fenômenos de moda.


A silhueta do New Look se consolida, com muito tomara-que-caia e uma feminilidade toda especial. Foi em 1955 que o famoso traje de tweed discretamente pespontado com botões duplos e saia abaixo do joelho teve sucesso mundial imediato. Acompanhado de cinturão e bolso, com correntes douradas, transformou-se no símbolo do estilo Chanel.

 O corpo da mulher se torna mais musculoso, tonificado, feminino e curvilíneo, valorizando quadris e seios. Marilyn Monroe eterniza o look dos anos 50, estabelecendo um padrão de símbolo sexual que atravessa décadas. Do outro lado, Audrey Hepburn redefine a elegância.

 Spray de cabelo, delineador, salto alto e sutiãs pontudos são as heranças da década. Nos EUA, começa a popularização da prática e jovial calça comprida, a famosa cigarette (mais curta e mais justinha).

 Ao mesmo tempo, é o auge da alta-costura na Europa. Ali, reina o espanhol (radicado em Paris) Cristobal Balenciaga, considerado “o estilista dos estilistas”. No luxo, a moda são os vestidos com decote tomara-que-caia, revelando ombros e colo. Em 1959, Pierre Cardin abre o primeiro prêt-à-porter inspirado na alta-costura, com modelos confeccionados em série e vendidos em grandes magazines. 




1960 / 1969


Realidade, Contestação e Fantasia

A sociedade brasileira dos anos 60 passa por um acelerado desenvolvimento tecnológico, principalmente dos meios de comunicação. Percebe-se uma internacionalização dos processos culturais e dos movimentos sociais. É como se o mundo todo estivesse em busca de definições. Pelo menos três grandes metas parecem estar na mira: desarmamento, desenvolvimento e descolonização.

Na África, 35 países conseguem sua independência política. A china comunista de Mao Tsé-tung preconiza a Revolução Cultural e estabelece doutrinas próprias, veiculadas no Livro Vermelho. A construção do muro de Berlim alimenta a guerra fria. A França enfrenta a Argélia num confronto armado. Os E.U.A fracassam numa desastrada tentativa de invadir Cuba. Em novembro de 63, o presidente John Fitzgerald Kennedy é assassinado em Dallas, a e bela e elegante Jacqueline Kennedy inicia uma carreira solo, tornando-se um mito que só é ameaçado quando de seu casamento com o armador grego Aristóteles Onassis. Em junho de 68, Bob Kennedy é assassinado durante sua campanha à presidência; em dezembro do mesmo ano, o líder do movimento pelos direitos civis do negro americano, Martin Luther King, também é assassinado.

A Rússia manda para o espaço o primeiro foguete pilotado por um homem, o astronauta Yuri Gagarin. Em 69 é a vez dos E.U.A: três astronautas, Armstrong, Aldrin e Collins, tripulando a nave Apolo XI, desembarcam na Lua. O mundo todo, inclusive o Brasil, assiste as suas façanhas em transmissão direta pela TV.

A eletrônica se desenvolve, e a televisão é popularizada, difundindo uma cultura industrializada e de massa.

Os E.U.A entram na guerra do Vietnã. A América Latina é palco de conflitos sucessivos entre as forças de direita e de esquerda. Che Guevara é morto na Bolívia ao tentar pôr em prática suas teorias sobre guerrilha continental.

No Brasil, o movimento estudantil toma corpo e se organiza em oposição à ditadura. Os jovens começam a se liberar sexualmente; aumenta o uso de drogas, e a partir de 1964 a política estudantil passa a ter contornos ideológicos mais efetivos. As idéias do período se refletem na produção cultural de diferentes maneiras.

A cultura, no começo da década, reproduz o clima de democracia populista e a liberdade de expressão vai até 64. A partir daí, as coisas mudam, e os jovens desconfiam do lirismo inerente à Bossa Nova e à Jovem Guarda, começando a fazer apologia da cultura engajada.

Entre as influências internacionais e a dura realidade brasileira, o meio artístico se divide. Nas artes plásticas e na literatura vêm conceitos de fora como o abstracionismo, o concretismo, o figurativismo, o surrealismo, a arte cinética, op-art ou pop-art, o movimento psicodélico e outros, que se substituíam velozmente.

Em 1960, já existiam no Brasil, aproximadamente, um milhão de aparelhos de televisão. E esse número vai crescendo assustadoramente até o final da década. No princípio era a Tupi, parte do império dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Depois vieram Record, Excelsior e ao entrar no mercado, a Globo segue a estratégia de conseguir audiência, mantendo-a cativa para estabelecer um padrão que se tornou o próprio modelo de TV no Brasil. Com as telenovelas, no início um hábito feminino, passa a atingir milhões de espectadores diariamente.

Os festivais e os programas de auditório da Record foram, sem dúvida, os que revelaram os maiores talentos da música, como Elis Regina, Roberto Carlos, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Geraldo Vandré e Edu Lobo. A platéia vaia ou aclama seus ídolos. Uns se vestem dentro do por-art: minissaia, meia arrastão, botas, bijuterias exageradas, cílios postiços com delineador, batons quase brancos e cabelos lisos, ou ainda com laquê, em coques exagerados; no outro grupo, as roupas típicas dos guerrilheiros e dos estudantes universitários: calças e camisas cáqui, ou verde-oliva, sapatões de couro rústico, boinas à Che Guevara, ausência de artifícios, os cabelos escorridos e uma elaborada aparência de descuido.

A pílula anticoncepcional contribui em muito para a liberação sexual da mulher dos anos 60 e a moda sofre uma guinada radical. Sofre uma série de mudanças: a minissaia, as blusas transparentes, os collants, o estilo rétro de Bonnie and Clyde. A razão de tantos estilos diferentes pode vir do fato de as pessoas que ditam a moda não serem mais as de antes. O poder da alta-costura parisiense declina porque os estilistas demoram a perceber que as mulheres não querem mais servir de cabide para as suas criações e que o dinheiro começa a estar na mão de uma juventude trepidante, que tem idéias bem precisas sobre o que quer ou não usar. Alguns dos jovens costureiros, como Yves Saint Laurent, Ungaro, Paco Rabanne e Courrèges, preparam lançamentos com base na ficção científica e começam a desenhar vestidos inspirados em discos voadores, maillots de metal, botas e macacões em couro dourado e prateado. Atribui-se a Paco Rabanne a criação da minissaia, mas ele próprio não confirma nem desmente.

Os estilistas franceses começam a ter em mente a comercialização de acessórios. Dior vendia perfumes e óculos de sol, Saint Laurent desenhava lenços e a mior parte dos costureiros abria departamentos de moda masculina. O centro da moda, no entanto, se transfere para Londres. A popularidade dos Beatles e de outros grupos inspira os jovens costureiros ingleses, com idéias inteiramente novas. A primeira da fila é Mary quant. No início da carreira, ela produzia roupas para jovens de 12 a 20 anos. As saias eram curtas, às vezes muito curtas, as meias foram trocadas por collants e as roupas de baixo são reduzidas ao mínimo necessário. Ao mesmo tempo que Mary Quant modificava a aparência das moças, em Paris é lançado um novo estilo; trata-se da moda unissex, que podia ser usada tanto pelos homens quanto pelas mulheres, desde que fossem magras: camisa e calça em jeans mais leves que o da calça Lee, famosa na época.

A Jovem Guarda tinha sua própria moda ditada por Roberto, Erasmo e Vanderlea: minissaia, calça saint-tropez boca-de-sino, camisas de tecido brilhante com mangas compridas bufantes e golas grandes como a de Elvis Presley; botinhas, correntes grossas no pescoço, pulseiras, mesmo para os homens, e o famoso Brucutu. Era comum ver-se jovens das melhores famílias roubarem esguicho de água para limpar o pára-brisa dos fuscas (“brucutu”) e com eles fazerem seus anéis.

O modismo do grupo foi aproveitado para lançamento de griffes como etiquetas Calhambeque, Ternurinha e Tremendão. Um sucesso de vendas. A propaganda e o marketing se sofisticam. Mas nem só de mitos gerados pelas técnicas de marketing se alimenta a moda: Brigitte Bardot, Claudia Cardinale, Audrey Hepburn, Jane Fonda, pelo cinema; as manequins Twiggy e Veruschka; e a primeira-dama Jaqueline Kennedy. No Brasil, é o tempo de Maria Teresa Goulart, Tônia Carreiro, Norma Benguel, Duda Cavalcanti e Leila Diniz. A garota de Ipanema vira um mito, cantada por Vinícius de Moraes. Nem só de juventude vivia a moda. Em 64, a música Dr. Pitanguy trata da mulher de meia-idade e de uma grande novidade: a cirurgia plástica. A alta-costura brasileira revela novos talentos: Guilherme Guimarães, Clodovil, Gérson e, talvez o mais famoso, Denner.

Do meio pra o final da década, os concursos de Miss Brasil começam a ser considerados ultrapassados. Casualmente, nessa época duas brasileiras ganharam o título de Miss Universo: Yeda Maria Vargas em 63, e Marta Vasconcelos em 68. O novo ideal feminino é ser magérrima, ter os quadris marcados, mas sem gorduras, os seios devem ser altos e minúsculos e as pernas, essas sim, extremamente longas e bem torneadas. As únicas roupas para as noites marcantes nesse período foram os palazzo-pijamas e os smoking rebordados. No mais, são os vestidos tubinho, as mínis, os vestidos chemisiers e as calças. Os tecidos variam, mas a vedete é o índigo blue usado para as calças jeans.

Na praia, os biquínis vão ficando cada vez mais sumários; aparece o maiô “engana-mamãe”, e uma ousadia que é repelida: o monoquíni. Os materiais usados são a helanca, a malha de algodão misturada com fio sintético e o jersey sintético.

As roupas da maioria das boutiques das grandes cidades não estabelecem diferença entre os sexos. E o homem já não teme mais as extravagâncias.

A moda não depende mais da inspiração momentânea do estilista e passa a ser rigorosamente planejada em todos os aspectos. Novos materiais são pesquisados, e é desenvolvida a sua aplicação.

Os meios sociais passam a ser estudados com atenção, na tentativa de se preverem as novas tendências. A humanidade vai se transformando cada vez mais rapidamente.

No final dos anos 60, a maior parte da moçada estava pirando, e é só a gente se lembrar do Mamas and Papas, Janis Joplin, Jimmy Hendrix e a frase de John Lennon era muito mais reveladora do que ele próprio poderia imaginar. O sonho acabou !

Os anos 60 do século XX são marcados por inúmeras mudanças e, conseqüentemente, várias adaptações aos novos tempo. De um modo geral, alguns fatos marcaram esses anos nos quais a juventude se manifestou e se impôs. Foi o período da conquista espacial, a Guerra do Vietnã, conflitos raciais nos Estados Unidos, rebeliões estudantis em todo o mundo, além de outros, acabaram influenciando a moda desse período tão significativo e importante para a história do século XX.

A busca pela novidade era frenética e mal se lançava uma idéia para que todos logo aceitassem, democratizando as criações dos estilistas. Foi o grande momento de solidificação do prêt-à-porter na moda.

O jeans foi a grande afirmação da moda jovem, em seus modelos tradicionais ou novos, com inúmeras intervenções modernas à sua época.

Yves Saint Laurent em 1958 a linha trapézio, abriu a sua própria maison e no final da década lançou para as mulheres o conjunto de calça comprida e paletó. Pacco Rabanne trocou o tecido, a linha e a agulha por placas de metal, arame e alicate. A idéia de futuro foi aspecto generalizado. Mary Quant difundiu a minissaia e a meia-calça.

Com a consolidação da moda hippie e de sua associação com a filosofia oriental hindu, eles adotaram, após terem ido à Índia, um visual com características indianas e ajudaram a difundir esse aspecto na moda jovem.

O aspecto de psicodelismo através de matérias novas como o plástico e o acrílico, além das estampas multicoloridas se fizeram presentes tanto nas artes gráficas como na moda.

No que diz respeito aos tecidos, acompanhando as modernidades dos tempos, estavam em moda especialmente os de fibras sintéticas, o que facilitava a intensidade das cores, uma vez que esses evidenciam melhor as tonalidades do que os tecidos de fibra natural.

O homem estava voltando a se enfeitar e a difusão da moda unissex nesse período só contribuiu positivamente para isso.

Na segunda metade dos anos 60 a mesma moda tanto para ele quanto para ela passava a idéia de um modo coletivo, comunitário, um ideal jovem que resultou numa espécie de uniformização para ambos os sexos.

Em meados de agosto de 1969, houve um grande show de música pop numa fazenda próxima a Nova Iorque, o Woodstock, que ajudou na popularização e difusão dos conceitos hippies para os jovens do resto do mundo, delineando toda uma atitude para modos e modas do início dos anos 70.

Desenvolve-se a imprensa especializada, o sistema organizou-se e os jovens adolescentes passaram a ter poder de compra abrindo o caminho para o fenômeno “moda jovem”, sintetizada no jeans. Movimentos de moda das ruas influenciaram as passarelas, transformando-se em novas tendências.

O prêt-à-porter passou a ser o principal pólo irradiador da criatividade. Nos anos 1960 as boutiques, novo conceito de loja, incorporou o espírito jovem e sofisticado da moda de vanguarda e o surgiu o estilista-criador, que desenvolve coleções prêt-à-porter dentro do seu estilo pessoal, chamado de “criador de moda”, termo incorporado oficialmente em 1973 pela câmara Sindical do Prêt-à-Porter dos Costureiros e dos Criadores de Moda.

A denominação estilista (do francês styliste) surgiu nos anos 1960, no desenvolvimento do prêt-à-porter, identificando o profissional que, na indústria da moda e também das artes aplicadas em geral, transpõe e interpreta as tendências de acordo com a identidade da empresa e de seu público-alvo.


Mais mudanças, e elas ficam ainda mais velozes. A começar pela entrada do elemento jovem no mercado; trata-se de um tipo de consumidor que, daqui para a frente, vai virar tudo de cabeça para baixo. É o chamado Youthquake, ou “Terremoto Jovem”, conforme definiu a editora americana de moda Diana Vreeland. Nascidos no pós-guerra, eles entram com força de consumo, mais vontade de mudar o mundo e vão mudar mesmo, especialmente a partir de 1968, com os movimentos estudantis.

 Desde os anos 50, já começavam a aparecer, marcadamente nas ruas de Londres, os chamados teenage styles, ou seja, os grupos de adolescentes e jovens com seu estilo unificado pelo gosto musical (na década de 80, seriam batizados de “tribos”). Surgiram então os mods, rockers, rockabillies. Eles prepararam o terreno para que, na década de 60, Londres se transformasse em algo que seria até hoje: palco para a expressão pessoal por meio da moda.  Junto com isso, na mesma época, os jovens já têm consciência de ser um grupo distinto e unido (conforme lembra a escritora Valerie Steele). E numeroso, porque chega finalmente ao mercado (de trabalho e de consumo) a geração de garotos e garotas nascidos depois da Segunda Guerra, quando seus pais voltaram do front morrendo de saudade das esposas.

 Os adolescentes, então, já têm condições de trabalhar àquela época. Com seu próprio dinheiro, querem roupas e objetos que atendam a suas necessidades, e não mais a moda antiga dos anos 50. É uma nova geração de consumidores.

 Surge um novo tipo de estilista, personificado, por exemplo, por Mary Quant — a famosa inventora da minissaia. Sem ter-se especializado em moda e longe de ter uma formação como a dos pedantes criadores da alta-costura, Quant simplesmente queria roupas mais jovens para que ela e suas amigas usassem.  Na falta delas, põe a mão na tesoura e cria a minissaia, em 1965, passando a vendê-la em sua loja, na King’s Road londrina. Aparece aí um novo tipo de varejo, as butiques, que facilitam o consumo e democratizam mais a moda.

 Nesse mesmo ano, nas passarelas francesas, André Courrèges também apresenta saias curtíssimas, na célebre coleção influenciada pela corrida espacial. O estilo Courrèges de inocência e provocação, junto com suas silhuetas juvenis e cores pastel, define a moda da década.

 A independência sexual obtida com o advento da pílula anticoncepcional serve para libertar as mulheres também em termos de imagem. Sem engravidarem, mulheres cada vez mais jovens passam a fazer sexo despreocupadas. É o auge da estética “lolita”, com a sexualização de looks quase infantis.

 A modelo Twiggy representa a imagem da década: magérrima, tem o frescor da efervescente juventude do momento. Para manter o ideal de corpo adolescente, é preciso muita dieta e exercícios, conforme pregam as revistas femininas. Cabelos compridos também são muito populares, bem como as perucas, que podem mudar a personalidade das garotas. Cílios postiços e rímel são obrigatórios.

 Novos materiais decolam, e os anos 60 são também o período em que vingam o biquíni e o movimento hippie (que aparece em meados da década e decolará nos 70). Em 1966, Yves Saint Laurent inventa o smoking para mulheres, numa ruptura do masculino/feminino influente até hoje. É também nos 60 que surge a expressão “estilista”, substituindo “costureiro”. 




1980 / 1989


A Explosão da Moda Brasileira

 Os anos 80 do século XX nos trouxeram uma verdadeira profusão de influências e contrastes, uma característica antagônica que ainda hoje é uma das referências da moda contemporânea. Justos X amplos, cores sóbrias X cores vivas, simples X exagerado, moda em uma pluralidade de opções.

O conceito de “tribos de moda”, apropriando-se o termo e a idéia das áreas da antropologia e da sociologia, foi uma característica marcante desse período. O termo “fidelidade ao seu estilo” tornou-se condição indispensável de pertencimento a um grupo específico.

Os punks continuaram com sua ideologia e visuais próprios, surgiram os góticos, que no Brasil eram denominados “darks” (escuro, em inglês) e o medo de uma guerra nuclear e do fim do mundo fez com que os adeptos dessa tribo se manifestassem visualmente em preto total nas suas roupas.

Os criadores japoneses influenciaram a moda com suas propostas de intelectualidade através da limpeza visual. Trouxeram à moda a filosofia zen, que nesse setor, assim como na música recebeu o nome de minimalismo.

A cor preta nessa década de 80 foi a grande identidade da moda, introduzida pelos punks e absorvida em outras manifestações como os góticos, os minimalistas, o caráter de que o preto emagrece as pessoas e também pela praticidade de não aparentar sujeira de fuligem, típica dos grandes centros urbanos fizeram dela a cor-símbolo dos anos 80.

Paradoxalmente, teve na moda o outro lado, o culto ao corpo se fez presente e os que aderiram a esse novo modo de vida privilegiavam um alto astral exibindo roupas justas e normalmente coloridas.

Nessa mesma década surgiu também um reflexo na moda vindo do mercado financeiro, a moda dos “yuppies” (Young Urban Profissional Persons, ou, jovens profissionais urbanos), muito bem posicionados financeiramente e com uma identidade particular ao se vestirem de maneira correta, privilegiando o que era chique e sofisticado naquele momento. Roupas de linho ou crepe passaram a ser as preferidas, deixando claro em seus visuais uma excessiva preocupação de gastos em roupas e acessórios para refletir a boa condição econômica. O ícone dos yuppies veio da Itália, Giorgio Armani se tornou sinônimo de elegância e refinamento.

Todas essas tribos eram compostas por ambos os sexos e as características visuais pertenciam a todos.

Os anos 80 tiveram também seus avanços tecnológicos e modernidades. O verdadeiramente novo veio de fato da área têxtil, especialmente com a invenção da microfibra, fina e resistente, dava ao fio certas propriedades que, ao serem elaborados os tecidos, esses eram leves e resistentes, além de traduzirem em si a característica de não amarrotarem e secarem num tempo muito reduzido comparado aos outros.

Também não se pode esquecer do início da informatização para o setor da moda. Computadores com programas específicos de modelagem, estamparia e outros recursos, acelerando a produção e dinamizando possibilidades no trabalho de moda.

A partir de 1980, as mudanças da moda aceleraram-se e a velocidade de produção de novas tendências era proporcional à sua difusão. Na década da pós-modernidade podemos analisar o seguinte esquema:

1. A moda institucional:

• O prêt-à-porter, criadores e marcas tinham papéis principais no segmento.

• A alta-costura enfraquecida comercialmente, passou a ser um laboratório e começaram ser negociadas e revitalizadas, iniciando com a contratação de Karl Lagerfeld como diretor criativo da marca Chanel em 1983.

• A indústria fabricante de corantes, fibras, fios e tecidos.

• As capitais da moda: Tóquio e Nova York disputando espaço, Paris a capital do luxo, Milão do chique comercial e Londres da moda jovem e criativa.

• Os satélites da moda: salões profissionais, birôs de estilo e mídia.

• O varejo, desde os grandes magazines até o surgimento de novos conceitos de lojas e butiques.

2. As subculturas jovens e os movimentos de rua.

3. A elite social produtora de novas modas, que passa a ser identificada com artistas nas páginas de revistas dos anos 1980 e 1990: a “Era das Celebridades”.

4. O indivíduo, que passou a ter maior liberdade na moda e começou a personalizá-la.

Trata-se da primeira geração de “escolas de moda”, no final dos anos 1980, com a instalação de três cursos superiores em São Paulo, oferecendo diplomas de bacharel.

A explosão da moda brasileira, contextualizada, abre caminho para um outro boom, o dos cursos superiores de moda, no mesmo período.

Na França, foi nos anos 1970 e 1980, que a moda alcançou plena legitimidade acadêmica. No Brasil, houve um precedente notável, com a defesa da tese de mestrado O espírito das roupas, de Gilda de Mello Souza, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, que nos anos 1980 foi publicada, uma espécie de marco inicial dos estudos sobre a moda, produzidos pela academia brasileira.

Surgiu o estilista-criador (Jean-Paul Gaultier, Thierry Mugler, Claude Montana, entre outros), que atingiu a maturidade nos anos 1980, relendo as tendências dentro de estilos particulares, fundados em vocabulários de moda muito pessoais.

Nos anos 80 a indústria já não precisava ir até o mercado para orientar suas tendências: é o público, cada vez mais ativo e exigente, que deseja criar sua própria maneira de fazer moda.
 
A moda ganha status no mundo; a aparência agora importa e muito. Começa-se a falar nas fashion victims, homens e mulheres que seguem cegamente a moda. Os 80 vêem mulheres que descobrem seus poderes e os poderes de seu corpo. Uma mulher decidida, executiva, determinada e forte (em todos os sentidos) é a imagem ideal, dentro da ideologia yuppie (de young urban professionals, “jovens profissionais urbanos”, bem-sucedidos, com muito dinheiro para gastar).

 As armas do consistente ataque feminino são, portanto, ombreiras, tailleurs (pense no italiano Giorgio Armani, que desestrutura a silhueta), maquiagem e aeróbica. O culto ao corpo vive seu auge, com a ginástica e sua estética celebradas na moda e no dia-a-dia.

 Ao mesmo tempo, a multiplicidade das tribos urbanas alcança algo nunca visto. Coexistem punks, góticos, skinheads, new wavers, rappers (do hip-hop americano). A música influencia fortemente a moda.

 No Japão, eclode na temporada de verão 1983 a revolução de Rei Kawakubo (estilista da Comme des Garçons) e de Yohji Yamamoto. Intelectualizados e conceituais ao extremo, os dois lançam o pauperismo, que desestrutura radicalmente a silhueta, valendo-se de materiais que lembram roupas de mendigos de rua, propondo uma reviravolta no vestir que permanecerá influente até hoje. Ambos vêm apoiados pela pesquisa têxtil, nessa década em que a tecnologia do tecido contribui ainda mais para a evolução da moda.

 É só no fim da década que aparecem as supermodels, evolução do conceito de top model, que, como disse Linda Evangelista numa frase famosa, não saem da cama por menos de US$ 10 mil. Além de Campbell, Cindy Crawford e Claudia Schiffer personificam as mulheres mais glamourosas, desejadas e invejadas do mundo e ocupam no imaginário da mídia e do público um lugar antes reservado às estrelas de Hollywood.





1990 / 1999


A Cultura Tecnológica

A queda do muro de Berlin em 1989 foi um fato que simbolizou o fim de uma época, de uma ideologia e marcou o início de outras.

No Brasil, os anos 90 começaram trazendo os novos ventos da abertura de mercados, iniciada na era Collor, o vendaval do impeachment, as primeiras tentativas de estabilidade econômica e o Plano Real, com FHC.

Os Estados Unidos começavam a viver um dos mais longos períodos de prosperidade de sua história, embalado pelo sonho e pelos altíssimos ganhos proporcionados pela “nova economia” da era dos provedores , dos sites, do comércio eletrônico e do e-mail, da desmaterialização da informação e da virtualidade dos contratos.

A techno culture imperava. A música eletrônica expressava com perfeição essa nova sensibilidade, um tempo dos Dj’s, dos webmasters, das celebridades, da mania por piercings, tatuagens e cabelos coloridos faziam parte de um conjunto de estratégias de individualização, de auto-expressão e de mudança permanente do próprio visual.

Provocar na maioria uma sensação de estranhamento que beire a rejeição tem sido condição para a própria definição de modernidade. O futuro era, naquele momento, a ideologia dominante, a própria encarnação da supremacia tecnológica.

Todas as décadas anteriores, inclusive as de 1960 e 1970, haviam sido recicladas, em tendências estéticas de ciclo curto, com a moda à frente desse processo. No entanto, nenhuma teve a força do apelo que os anos 1980 tiveram, e mais: se buscar inspiração no passado é algo comum na História, o ineditismo da situação consistia no fato de que um período que mal terminara já se transformava em motivo de releitura.

Na moda, pode-se dizer que representou o fim de determinadas barreiras e preconceitos no vestir e o aparecimento de uma grande liberdade de se expressar visualmente, conceito que vai definir a moda na década de 90 do século XX.

O conceito de “tribos urbanas”, forte nos anos 80, teve sua seqüência no início dos anos 90. A moda grunge, de influência vinda de Seatle (USA), marcou o modo de vestir dos jovens, que aderiram ao estilo descontraído de peças sobrepostas, roupas oversized (tamanho grande) e a cultuada camisa de flanela xadrez amarrada à cintura.

Também entraram em evidência clubbers, drag queens, cybers, ravers entre outros grupos, e a ordem foi a moda jovem, ousada e irreverente. Foi com o conceito de “supermercado de estilos” que a moda dos anos 90 passou a ter sua própria identidade quando mesclou informações e influências de diversas fontes.

A moda dos anos 90 adquiriu o caráter de mistura e absorveu diversas referências vindas das mais distintas realidades e, todas juntas, formaram uma nova proposta. A falta de identidade passou a ser a própria identidade e a liberdade de vestir passou a ser muito grande, é a globalização na moda. O espaço adquirido pelo streetwear, recebendo e passando informações da rua, se solidificou na moda dos anos 90.

O “desconstrutivismo” foi outra idéia desenvolvida e surgiu especialmente através da influência dos estilistas belgas na moda como Martin Margiela. Foi uma desconstrução para um novo construir, uma espécie de evolução da reciclagem e do ponto de vista comercial e popular, esse conceito se transformou em bainha desfiada e overlock aparente.

Surgiram os novos profissionais de moda que são verdadeiros criadores de conceitos, idéias, imagens e na maioria das vezes era e ainda é mais importante que o próprio produto.

Outra realidade foi o avanço tecnológico têxtil, a microfibra da década anterior evoluiu e foram desenvolvidos tecidos com alta “performance tecnológica”, os achados “tecidos inteligentes”, com utilização de finíssimos fios metálicos, que mudam de cor de acordo com o estado de espírito do usuário, tecidos bactericidas, etc.

A idéia de supermodelo começou ainda nos anos 80 com Inês de La Fresange, para a Casa Chanel; e nos anos 90 algumas outras, tais como, Claudia Schiffer, Cindy Crawford, Linda Evangelista, Christy Turlington, Naomi Campbell, Kate Moss, Amber Valetta e mais adiante, a brasileira Gisele Bündchen adquiriram a posição de supermodelos: são as famosas “top models”.

A moda reinventa-se com o conceito de customização, ou seja, uma personalização na qual o usuário interfere subjetivamente na sua roupa criando novas propostas e se diferenciando dos demais.

A corrida para adiante caracteriza a valorização da nova moda e surge uma democracia de estilos: clubbers, tecno, eletro-rock, é o sistema da moda movimentado pelo paradoxo entre diferenciação e identificação.

A mídia continua exercendo um poder decisivo com uma variedade de veículos e excesso de informações. A fabricação do fenômeno metrossexual pela mídia é uma categoria apresentada como a configuração da “nova identidade masculina”. O “novo homem”, agora britanicamente metrossexual é uma mostra de como a mídia se lê e se repercute, de maneira a construir uma verdade própria, mais facilmente assimilável pela opinião pública.

A mania por modelos, a proliferação das colunas sociais, a obsessão da sociedade contemporânea pela celebridade, pela fama, pela visibilidade, é o processo de transformação em espetáculo, do cotidiano, da cultura e da política.

Com o indivíduo e o culto à personalidade em alta no quadro de valores, passou-se a falar de look para remeter à idéia de individual. “Produzir um look” passou a ser mais importante do que estar na moda. Em 1990, essa noção só fez aprofundar-se: o estilo é entronizado pela mídia e pelas instituições da moda como valor a ser almejado por todos, cultua-se a exclusividade e a individualização concretiza-se em conceitos como o de customização (personalizar a própria roupa; customer, consumidor em inglês). O reinado do estilo é a nova face da ditadura da moda.


Os anos 90 aparecem fragmentados, com múltiplas idéias de moda pulverizadas. Uma das principais é o minimalismo, que prega a simplicidade e as linhas retas, justamente uma oposição à extravagância e aos excessos visuais dos 80.

 O austríaco Helmut Lang e o americano Calvin Klein são os principais artífices dessa tendência. Da mesma forma, a moda grunge (inspirada pelo rock de Seattle) e a explosão da cultura jovem aparecem como reação ao culto exagerado do status. A fotografia de moda encontra um novo caminho, desglamourizado, naturalista, uma estética que tem como epicentro o trabalho da fotógrafa inglesa Corinne Day e a imagem da modelo Kate Moss. Franzina e magricela, Kate vem juntar-se ao grupo das supermodels, que reinam no início dos 90, esse impõe pela personalidade, instalando a individualidade como marca da década. Kate também se vê acusada (injustamente) de incentivar a anorexia.

 Outro desdobramento da estética despojada dos 90 é o heroin chic, quando as modelos se mostram tão “derrubadas” nos editoriais de moda que parecem drogadas de heroína. A onda avança até o então presidente Bill Clinton manifestar-se, pedindo que as modelos sejam retratadas de modo mais saudável. Dá certo.

 O grunge, por sua vez, sai da música (é o estilo do rock de Seattle, de grupos como Nirvana e Pearl Jam) e troca as ruas pelas passarelas e revistas. Serve para instalar a nova dinâmica da moda, que estimula a individualidade e a diversidade, dando pistas para a virada do milênio, em direção a um estilo próprio e individual. O aspecto plurifacetado e confuso dos anos 90 é típico dos fins de século. No mesmo período, coexistem ainda o estilo étnico, o religioso, o fetichista, o clubber e o desconstrutivista (da escola belga liderada por Martin Margiela).

 Ao mesmo tempo que amoda de rua dita as regras do jogo, reinam as chamadas luxury brands, as marcas de bens de luxo; a guerra de seus conglomerados marca o final da década. O importante é usar algo de grife, e por isso a logomania: estampar a marca de modo bem visível, na roupa.  Quando uma consumidora japonesa (o principal público desse segmento) compra um perfume italiano, ela quer entrar em outro estilo de vida. Muitas vezes não sabe direito o que é, mas sabe que há algo ali e que esse algo não é japonês. As grifes de luxo inspiram o sonho e impulsionam a moda.

 Com a prosperidade dos EUA e dos países asiáticos no período, crescem os números desse mercado. Nas passarelas, imperam o luxo e a riqueza, com os estilos de Prada (a nova elegância, burguesa e retro), Gucci (sexo e poder), Chanel (o novo clássico) e Versace (sensualidade e extravagância).







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