MARCAS e ESTILISTAS: Poiret, o primeiro logotipo e mix de produtos

Reprodução
 Em 1910, a Alta Costura finalmente ela recebeu a denominação que a identifica até hoje. Nesta mesma época, quem brilhou foi Paul Poiret, um estilista visionário que criou até logotipo para sua marca e desenvolveu etiquetas para suas criações, conhecidas por abolir a tortura do espartilho da vida das mulheres e explorar a riqueza das cores do Oriente em coleções desejadas por toda a elite européia.

 Poiret foi revolucionário na sua época levando seu estilo de vida e suas criações para toda uma sociedade. Apesar de ter morrido falido e esquecido, ele será para sempre lembrado como o primeiro grande estilista.

 A moda vai e vem e, por se tratar de um reflexo da época que vivemos, da sociedade onde nos inserimos e, por conseqüência refletir as questões culturais, sociais e econômicas é que percebemos mudanças freqüentes e que vão inclusive revisitar momentos que já foram assimilados e que podem nos fornecer algum tipo de referência para vivenciar a época atual. Assim é agora e assim foi no passado. Aqueles que têm sensibilidade para perceber essas referências de forma antecipada são grandes artistas. De qualquer forma, essas visitas a outros momentos é sempre cercada por atualizações. Não se vivencia como no passado.


 Nas últimas temporadas temos percebido uma mudança considerável no que diz respeito às formas das roupas apresentadas nas passarelas. Se antes, as formas ajustadas ficaram por muito tempo, agora são formas que vão contra a silhueta do corpo humano que ganham espaço. E, pelo que parece, elas estão sendo bem assimiladas. Se pararmos para pensar são formas inspiradas na antiga Grécia (os vestidos drapeados) e também algumas formas que nos remetem ao início do século, por volta dos anos 10, quando Poiret criou uma nova silhueta ao “libertar” as mulheres dos espartilhos. Essas, pelo que parece, proporcionam maior conforto e dão mais liberdade de movimento além de criarem uma nova imagem de moda. E será que foi nisso também que Poiret pensou ao propor uma imagem revolucionária de moda para aquela época ?

 Se foi intencional ou não, é difícil dizer pois há pesquisadores que apontam para os dois lados. Mas o fato é que Poiret conseguiu inovar, e muito, na moda daquela época. Segundo ele mesmo dizia: “A moda precisa de um tirano”, conduzindo logicamente ao pensamento de que ele era a pessoa mais indicada para se enquadrar no papel de déspota libertador.

 Paul Poiret nasceu no dia 8 de abril de 1879 em Paris e foi, entre os períodos de Belle Époque e os loucos anos 20, um dos mais importantes e visionários estilistas franceses. Seus pais eram comerciantes de tecidos no bairro de Hallen que, naquela época, graças aos famosos mercados, era considerado o coração de Paris e permanece, até hoje, como o centro da economia têxtil francesa. No entanto, sua vida profissional começou quando seu pai o enviou para trabalhar numa fábrica de sombrinhas para conhecer a vida real pois considerava o filho extremamente sonhador.

 Seus momentos criativos na área de moda tiveram seu início ainda ali, quando, com os restos de seda das sombrinhas que ganhava de seu mestre, confeccionava vestidos extravagantes num manequim de madeira de 40cm que havia ganhado de suas irmãs (grandes admiradoras de seus projetos, assim como sua mãe de quem sempre recebeu muito apoio). Em 1889, foi trabalhar com Jacques Doucet e tornou-se chefe da alfaiataria da maison e, depois de passar pelo serviço militar trabalhou ainda na Maison Worth em 1901.

 Em 1903, com a ajuda da mãe que não hesita em contribuir com 50 mil francos para que o filho possa abrir seu próprio ateliê, Poiret inaugura sua casa tendo como primeira cliente uma famosa atriz de cinema da época, Réjane, que abandona Doucet, o antigo patrão de Poiret. Suas peças logo se tornam um sucesso e ele passa a estrela, sendo reconhecido nas ruas e em restaturantes, alem de rodear-se de ilustres pintores e artistas da época como Paul Iribe, Erté, Mariano Fortuny, Raoul Dufy entre outros.

 Sua fama é a de ter libertado as mulheres dos espartilhos. Poiret considerava simplesmente ridículas as mulheres de busto curvo e traseiro saliente e, para acabar com isso, inspirado no modernismo que reinava na Europa e no Diretório do século XVIII, ele criou, em 1906, um vestido de linhas simples e estreitas com saia cortada abaixo do peito, batizada por ele de Le Vague, pois se movia como uma onda suave em torno do corpo. Com esse traje, ele anima as mulheres a desvencilhar-se do espartilho e, em menos de dois anos, estavam adotados os preceitos reguladores de uma silhueta graciosa e maleável. Além disso, lança as cintas-ligas, as meias cor-de-pele e cria os primeiros sutiãs modernos. Sua principal modelo era a sua própria mulher, Denise, que sempre vestia as suas criações e passou a servir de referência para as mulheres da sociedade parisiense.

 Em 1909, com a primeira temporada dos Ballets Russes, a elite descobre os encantos do orientalismo que passa a influenciar a moda parisiense inicialmente por Paul Poiret que cria pantalonas bufantes, quimonos, turbantes e estampas em cores vivas transformando suas clientes em almeias de harém. Poiret se considera um sultão vestindo as mulheres do seu harém com trajes faustosos de motivos orientais e organiza festas lendárias. Uma delas, inspirada nos excessos do Oriente chama-se “Noite 1002″.

 Mas Poiret não pára por aí. Dez anos antes de Chanel, Paul Poiret lançou seu primeiro perfume, chamado de Rosine (o nome de sua filha mais velha), com fragrância, frasco, embalagem, publicidade e distribuição totalmente concebido por um costureiro. Também passou a criar tecidos apoiado nas oficinas de fabricação. Junto com Raoul Dufy, criava tecidos e estampas que seriam usados em roupas e decorações e, por conta disso, em 1911, inaugurou em Paris uma oficina voltada para o ensino das artes decorativas. Batizadas com o nome de Martine (dessa vez, o nome de sua segunda filha), moças de condição modesta aprendem a criar e executar tapetes, luminárias, estofados e vários outros acessórios destinados à decoração da casa.

 Tudo isso faz com que Poiret possa ser considerado o primeiro designer do século, estampando com a sua marca todos os seus projetos e conseguindo vender tudo, desde acessórios, perfumes, roupas a peças de decoração de interiores. Sua maison, que comercializava todos os seus produtos, tinha uma decoração extravagante, considerada vanguardista, assim como a maioria de suas criações, de suas festas e de sua vida da qual pôde conduzir até ser convocado para a Primeira Guerra Mundial, anunciando o fim de sua fantástica carreira.

 Na volta da guerra, as mulheres já não se reconheciam tanto nos trajes de Poiret que, aos poucos, vai se sentindo abandonado. Acreditando poder recuperar sua clientela com algumas de suas festas, ele organiza algumas delas com extravagantes convites e importantes presenças. Porém, as dívidas acabam só aumentando. Vende sua grande coleção de quadros adquiridos diretamente de Matisse, Picasso e Van Dongen, escreve algumas obras e, depois de fechada sua maison, passa a pintar quadros que ganham uma retrospectiva organizada pelo amigo Jean Cocteau em 1944. No entanto, Poiret se vê impedido de assistir a seu último sucesso, morrendo alguns dias antes da abertura da exposição, à beira da miséria e abandonado pela mulher Denise.




























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