Moda democrática é o caminho para um futuro real

Desfile da marca Emporio Armani na Semana de Moda de Milão (Alessandro Garofalo/Reuters)


Por Daiana Moreira*


A moda sempre foi vista como expressão hierárquica, desde a sua origem em meados do século 15, no início do renascimento europeu. Proveniente do latim modus, a palavra moda significa costume e, em suas diferentes características das vestimentas, surgiu para diferenciar o que antes era igual. Na época, usava-se um estilo de roupa desde a infância até a morte, por isso, o movimento não nasceu para vestir, mas sim para atender padrões.


Desde então, o mercado foi se reformulando e ganhando outra visão. Hoje a moda contemporânea ganhou espaço e podemos dizer que é mais democrática. Agora é o momento de trazer para as coleções os verdadeiros sentimentos e desejos, além da identidade única do que pensamos e queremos expressar. Os padrões tomaram outros rumos, e porque não usar desse artefato para criar e ter o próprio estilo? Esse movimento é para trazer uma nova linguagem para a moda.


Quando partimos deste ponto, revolucionamos modelos impostos, que aprisionam em um padrão ultrapassado e que era apenas definido pelo mercado de luxo. Seguir desta forma é arcaico e não faz mais sentido para as marcas que, atualmente, já são vistas como inovadoras e preocupadas com a sociedade e o futuro. Isso é a democracia, vista da mesma maneira que a própria política, ou seja, o consumidor tem o direito de usar as roupas e acessórios que correspondam com o que ele gosta e com o que o faz se sentir bem. Por essa razão, a moda deve ser para todos.


Ao criar uma coleção, uma marca precisa pensar na diversidade e entender o conceito de que as peças vestirão diferentes pessoas, com altura, peso e forma variados, além de etnia, tribo, gênero e cultura. Também não podemos deixar de incluir e atender diversos tipos de deficiência. Quando essas questões são aplicadas, é possível falar que a moda está na linha democrática. Ainda estamos longe de ter um mercado completamente voltado para todos, mas a mudança já está sendo feita. Hoje, as áreas de marketing das marcas estão mais conscientes, as campanhas ganham um viés mais humano e aquele padrão de ter apenas uma mulher branca e magra para apresentar uma determinada coleção está ficando para trás. Cada vez mais teremos pessoas reais representando a indústria da moda. Esse é o conceito, esse é o futuro.


*Daiana Moreira é cofundadora e diretora de marketing da Toda Frida, hoje a principal referência de premium slow fashion do Brasil, com o conceito único de ser uma marca de moda retrô, mas com liberdade e criatividade contemporânea


Fonte: Exame

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