Peças com recortes inusitados saem das passarelas e ganham as ruas

(crédito: Balmain /Divulgação)

Vestidos com aberturas na altura da costela ou das costas, blusas com vazados nos ombros, calças com recortes pélvicos e laterais, no lugar em que, tradicionalmente, estariam os bolsos. As chances de um desses modelos ter passado no seu feed do Instagram nas últimas semanas são grandes. A tendência tem tudo para sair das passarelas e da timeline e ganhar os looks do dia a dia.


Se, na pandemia, com todo mundo em casa, as modelagens eram amplas e o corpo ficava mais coberto, agora, com a retomada da vida normal, ainda que gradativa, há uma ânsia de chamar a atenção e de se sentir sensual. "Com isso, mostrar a pele de um jeito menos óbvio ganha vez", aponta a professora de moda do Iesb Lina de Albuquerque, mestre em artes plásticas.


Os recortes com proposta parecida com a desta temporada surgiram com marcas menores, de produção artesanal. Regatas com buracos, feitas por estilistas ingleses, deram o pontapé na ideia. Depois, grandes marcas absorveram o conceito. Usados para garantir ventilação, os recortes também chegaram ao sportwear. Hoje, os vazados aparecem com uma pegada vanguardista. "Na forma literal, como eram usados nos anos 1990, o resultado era mais cafona", explica Lina.


Para a consultora de imagem Lilian Lemos, especialista em plus size feminino, as aberturas trazem a possibilidade de colocar a barriga para jogo, criar uma sensualidade fora do comum, expressar-se. "É uma oportunidade para usar peças mais ousadas e quebrar o paradigma de que, principalmente os corpos grandes, não podem mostrar a pele", pontua.


Para aderir


"Os recortes são ousados, logo, merecem um astral ousado! Antes de tudo, é preciso sentir-se bem", orienta Lilian. Por mostrar a pele em pontos do corpo que normalmente ficam cobertos, é de se imaginar que a tendência cause estranheza de início, mas é possível adequar ao gosto e estilo de cada uma e também à ocasião.


Quem tem um perfil mais clássico pode investir em recortes menores, como uma fenda nas costas (que não precisa deixá-las completamente nuas) ou blusas com aberturas abaixo dos seios, na altura do estômago. "Para se habituar, dá para usar uma segunda pele por baixo, até, aos poucos, usar vazados totais e mais acentuados", aconselha Lilian.


As calças com aberturas podem ser um desafio, porque a altura da roupa íntima precisa ser ajustada para não ficar aparecendo e, assim, comprometer o look. "É que aquele pouquinho de pele vira foco", comenta a consultora. Também por isso, ela sugere cuidado ao usar os recortes em ambientes corporativos, que podem não comportar a ideia.


Lina aconselha compor bodies e tops com recortes, normalmente colados ao corpo, com saias amplas ou pantalona. "Gosto do visual com uma das partes mais soltas", diz a professora. As adeptas dos looks mais fresquinhos têm a opção de vestidos com vazados, que não mais se limitam ao busto e fendas. "A Farm fez, há um tempo, um modelo sereia, com as costelas de fora. A ideia acabou sendo reproduzida por outras marcas", lembra.


Assim, os recortes não convencionais são alternativa para os tradicionais decotes. Quem não tem muito busto pode apostar em blusas com gola alta, mas braços ou ombros nus. "Fendas próximas da cintura também vêm para mexer na silhueta de uma forma diferente. A impressão é que o recorte afunila a região. Nas costas e mangas, cria ilusões de óptica", completa. 

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